Banco Mundial aponta impacto da Covid-19 na educação dos países da América Latina e Caribe

A qualidade da aprendizagem está despencando nos países da América Latina e Caribe devido à pandemia — especialmente entre crianças mais pobres. A afirmação é do relatório do Banco Mundial, publicado em março de 2021, que classifica a pandemia como “o maior choque mundial sofrido pelos sistemas educacionais na História”.

Intitulado “Agindo agora para proteger o capital humano de nossas crianças: Os custos e a resposta ao Impacto da pandemia de Covid-19 no Setor de Educação na América Latina e no Caribe”, o relatório estima que a região apresentará o segundo maior aumento absoluto de pobreza de aprendizagem do mundo. Segundo o estudo, o fechamento das escolas em todos os níveis afetou cerca de 170 milhões de estudantes na região.

“A parcela de crianças que não consegue ler e compreender um texto simples ao terminar o ensino fundamental pode aumentar de 51% para 62,5%, equivalente a aproximadamente 7,6 milhões de novas crianças nessa condição”, pontuou o relatório.

Outra conclusão é sobre o crescimento absoluto de estudantes abaixo dos níveis mínimos de proficiência, medidos pelos resultados no exame do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).

“Supondo-se um fechamento de escolas de dez meses e eficácia moderada das medidas de mitigação, a parcela de estudantes abaixo dos níveis mínimos de proficiência na América Latina e Caribe pode aumentar de 55% para 71%”, salientou o relatório. “Além disso, estima-se que as perdas de aprendizagem, também medidas pelas pontuações médias do Pisa, sejam maiores para os estudantes mais pobres do que para os mais ricos. Tal impacto pode ampliar a já elevada diferença dos resultados socioeconômicos em 12%”, acrescentou.

Nessa batalha “não há tempo a perder”, enfatizou o Banco Mundial. Segundo a entidade, é preciso garantir, “por meio de políticas e recursos adequados, que os sistemas educacionais estejam preparados para a reabertura segura e eficaz em âmbito nacional” — para, assim, promoverem a aceleração do “processo de recuperação e correção dos dramáticos efeitos negativos da pandemia”.

A situação exige decisões importantes, sistêmicas e direcionadas, no âmbito da gestão pedagógica, alertou a entidade mundial. De acordo com o relatório, o financiamento público da educação precisa ser protegido e os recursos bem direcionados para ajudar as escolas dos locais mais impactados.

“Os países da América Latina e Caribe precisam começar a explorar um modo de melhorar a eficiência dos seus gastos em educação”, frisou o Banco Mundial.

Para conferir todas as conclusões, acesse a íntegra do relatório publicado pelo Banco Mundial.

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Haroldo Jacobovicz

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