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Covid-19 acentuará desigualdades sociais diz novo relatório da ONU

A pandemia de Covid-19 deve gerar retrocessos para o Brasil tanto em termos de conquistas sociais quanto econômicas, segundo relatório divulgado no final de setembro pela Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o documento, a atual crise mundial de saúde deve agravar as desigualdades sociais no país.

O estudo analisou 94 indicadores e foi elaborado por especialistas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud); do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef); da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco); e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

Eles avaliam que crise impacta todas as dimensões do desenvolvimento humano — renda, saúde e educação. Os mais prejudicados são os grupos em situação de vulnerabilidade. De acordo com o documento, “os países serão afetados, mas não da mesma forma. No Brasil (seus 26 estados e o Distrito Federal), a desigualdade tem um papel importante nesse contexto”.

O estudo resgata dados divulgados em fevereiro pelo Núcleo de Saúde Pública da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Eles apontaram que a letalidade entre pacientes internados com casos confirmados de Covid-19 foi maior entre as pessoas não brancas (79%) do que entre as pessoas brancas (56%). Já, quando as mortes foram classificadas pelo nível de escolaridade, foram registrados:

  • 71% de óbitos entre pessoas sem escolaridade;
  • 59% de mortes entre pacientes que tinham feito até o quinto ano do ensino fundamental;
  • 48% de mortes entre aqueles que cursaram até o nono ano do ensino fundamental;
  • 35% de óbitos entre as pessoas que cursaram o ensino médio; e
  • 22% de óbitos entre pacientes que tinham nível superior.

Conforme o estudo das Organização das Nações Unidas, mesmo que o Índice de Desenvolvimento Humano (0,778) seja considerado alto no Brasil, o país ainda não conseguiu sanar necessidades básicas de todos os seus cidadãos.

“Notadamente, apesar dos ganhos substanciais em saúde, educação e no padrão de vida da população registrados nas últimas décadas, ainda há um conjunto de necessidades básicas diferentemente atendidas no Brasil e nos seus estados; e, paralelamente, uma nova geração de desigualdades se abre, alargando a lacuna entre aqueles que têm e aqueles que não têm”, pontuou o relatório.

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Haroldo Jacobovicz

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